quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Doutora, eu sei que sou "cardíaco", posso viajar para o Perú?

Anúncios de agências de viagens começam a ficar ainda mais freqüentes nesta época do ano, com a aproximação das férias. Hoje pela manhã assisti um anúncio oferecendo boas condições para uma viagem de uma semana no Perú. Daí surgiu a pergunta, o quê tem sido publicado sobre cardiopatia e altitude? Pacientes com doença arterial coronariana poderiam fazer este pacote e embarcar para o Perú?
O último número da revista High Altitude Medicine & Biology, especializada no tema traz um artigo muito interessante intitulado " Can Patients with Coronary Heart Disease Go to High Altitude?". Neste artigo, fica claro que, apesar de não haver tanta literatura a respeito do tema, a avaliação de cada paciente antes de ser, ou não, liberado para esta viagem é muito importante. Sabe-se que em locais com maior altitude, a rarefação do ar pode reduzir o conteúdo arterial de oxigênio, reduzindo o aporte de oxigênio para o miocárdio. Em locais de maior altitude, mesmo durante o repouso, o consumo de oxigênio pelo miocárdio está aumentado, principalmente em indivíduos não aclimatados, ou seja, acostumados com esta condição. Apesar disto, estudos prévios já demonstraram que a permanência em locais com altitude até 3000 m é geralmente segura para pacientes coronariopatas. Nos primeiros dias após a chegada, pacientes com angina estável podem apresentar sintomas de isquemia miocárdica mesmo em esforços menores do que aqueles que usualmente desencadeariam tais sintomas ao nível do mar. Entretanto, a ocorrência de eventos cardíacos mais graves não é mais freqüente nos locais mais altos, a não ser naqueles indivíduos com capacidade física muito baixa. Assim, é interessante propor um programa de condicionamento físico supervisionado para estes pacientes precedendo a viagem.  Viagens para locais com altitude de 3500m devem ser evitadas, a não ser para coronariopatas com angina estável, função ventricular preservada e boa capacidade aeróbica. Finalmente, mesmo com quadro clínico compensado, coronariopatas não devem viajar para locais acima de 4500 m de altitude.
Independente do quadro clínico e da altitude, fica o recado: coronariopatas não devem viajar para locais com altitude elevada sem avaliação médica prévia. A atenção para a disponibilidade de serviço médico no local também é essencial e não deve ser negligenciada. Boa viagem!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Alerta: Síndrome metabólica

A síndrome metabólica é diagnosticada quando um paciente apresenta ao menos três dos seguintes critérios:

  • Perímetro de cintura aumentado:
    • Homem — Igual ou superior a 102 cm / 40 polegadas
    • Mulher — Igual ou superior a 88 cm / 35 polegadas
  • Trigliceridemia elevada: Igual ou superior a 150 mg/dL (ou a utilização de fármacos para o controle)
  • Colesterol HDL (“bom”) diminuído (ou a utilização de fármacos para a sua elevação):
    • Homem — Inferior ou igual a 40 mg/dL
    • Mulher - Inferior ou igual a 50 mg/dL
  • Pressão arterial elevada: Igual ou superior a 130/85 mmHg (ou a utilização de fármacos para o seu tratamento)
  • Elevação da glicose em jejum: Igual ou superior a 100 mg/dL (5.6 mmol/L) (ou a utilização de fármacos para o tratamento da hiperglicemia)

Indivíduos com Síndrome metabólica apresentam risco aumentado para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Apesar de conhecermos os riscos da Síndrome metabólica, sua incidência vem crescendo de forma rápida. Dados da Third National Health and Nutrition Examination Survey mostram que sua prevalência em americanos com mais de 20 anos de idade ultrapassa os 34%. Não temos estatísticas brasileiras atualizadas, mas podemos inferir que aqui no Brasil a prevalência de síndrome metabólica vem crescendo na última década. Vale ressaltar que a prática regular de atividade física é uma das melhores estratégias para a reversão deste quadro.

sábado, 2 de outubro de 2010

Hipotireoidismo subclínico e risco cardiovascular

O último número da JAMA publicou uma metanálise muito interessante sobre risco cardiovascular em pacientes com hipotireoidismo subclínico. O artigo compila os dados de várias pesquisas randomizadas totatlizando o acompanhamento de mais de 55.000 voluntários. Após análise dos resultados, fica clara a associação entre hipotireoidismo subclínico e maior risco cardiovascular. Entretanto, vale ressaltar que o estudo não considerou indivíduos tratados. Ou seja, fica ainda a dúvida se o tratamento do hipotireoidismo, mesmo assintomático, corrigiria o maior risco para a ocorrência de infarto nestes pacientes. Enquanto esta dúvida continua, fica o alerta: vamos tentar corrigir os fatores de risco destes pacientes mais agressivamente: estimular a prática de exercícios, reduzir os valores de colesterol total de LDL e eliminar o tabagismo passam a ser ainda mais desejáveis nos indivíduos com hipotireoidismo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

História da Medicina

O Rio de Janeiro sediará o XV Congresso Brasileiro de História da Medicina e o II Congresso de História da Medicina do Estado
do Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 9 de outubro, nas dependências da Academia Nacional de Medicina, no centro da cidade.
Maiores informações: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=6686


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aficcionados por tecnologia, vamos correr!!!

http://www.youtube.com/watch?v=CVa45AuSKvo

Tenho utilizado o Garmin Forerunner 310 XT durante corrida. Para aqueles que gostam de tecnologia, é um prato cheio. Tem GPS, mostrando distância percorrida e calculando a velocidade em tempo real. A função de monitor de freqüência cardíaca também funciona muito bem, praticamente sem interferências. O download do treino para computador é automático, via bluetooth. Com cadastro gratuito no site da Garmin é possível visualizar o percurso do treino no Google maps, e  curva de freqüência cardíaca e de altitude. Enfim,  ainda existem outros recursos que ainda não testei. Apesar de não ter gostado do design e do tamanho deste "brinquedinho", posso dizer que, funcionalmente, ele está mais do que aprovado. Ah, já ia me esquecendo... não é difícil de usar e tem menu e manual em português.

Doutora, eu sei que sou "cardíaco", posso frequentar a piscina do clube?

Com a aproximação do verão, esta pergunta torna-se cada vez mais frequente nos consultórios de cardiologistas e médicos do esporte. Um estudo pequeno, mas randomizado, publicado no European Journal of Heart Failure avaliou o que acontece quando pacientes com insuficiência cardíaca compensada são imersos em água fria. Apesar de os pacientes terem tolerado bem a imersão passiva e a natação em água fria e morna, houve aumento da frequência de arritmias (extrassístoles) durante a imersão em água fria (22° C). Assim, mesmo em pacientes compensados, deve-se atentar para o maior risco do desenvolvimento de arritmias malignas quando pacientes com insuficiência cardíaca são expostos à imersão em água com temperaturas mais baixas. Obviamente, a temperatura da água não é o único fato a ser considerado antes de respondermos a pergunta que motivou este post. A avaliação individualizada do quadro clínico do paciente, bem como a descrição mais detalhada sobre o que significa, para o paciente, "frequentar a piscina do clube", são pontos decisivos para que possamos responder adequadamente à pergunta. De qualquer forma, em linhas gerais, se a água da tal piscina estiver muito fria,  já sabemos que existe maior risco de arritmias e, portanto, a resposta será negativa para pacientes com insuficiência cardíaca, mesmo que compensados.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sibutramina: heroína ou vilã?

Muito tem sido comentado sobre o maior risco cardiovascular relacionado ao uso de sibutramina. A sibutramina é um medicamento anti-obesidade que reduz apetite e promove perda de peso quando utilizada em associação com dieta e prática regular de exercícios físicos. Ao promover o emagrecimento, outros efeitos desejáveis são alcançados com o uso da sibutramina, como redução da resistência insulínica, melhora do metabolismo da glicos e lipídios e do perfil inflamatório. Entretanto, a sibutramina tem também efeitos indesejáveis, como aumento da frequencia cardíaca e eventuais aumentos na pressão arterial. Assim, as vantagens e desvantagens do uso de sibutramina vem sendo intensamente discutidas em diferentes artigos científicos e pesquisas envolvendo milhares de pacientes.
Para os interessados no assunto, sugiro a leitura dé uma revisão recém publicada sobre o tema na revista American Journal of Cardiovascular Drugs. De forma bastante elucidativa, o artigo comenta as vantagens e desvantagens do uso da sibutamina para emagrecimento. Considerando que os efeitos benéficos do uso não são maiores que o risco para a ocorrência de eventos cardíacos não-fatais, a Agência Européia de Medicamentos recomendou a suspensão da venda da sibutramina nos países da União Européia, enquanto o FDA americano indicou a inclusão de uma tarja preta na caixa do medicamento, alertando para o maior risco de acidente vascular cerebral e infarto em pacientes com história de doença cardiovascular. Em conclusão, a preocupação referente aos riscos do uso da sibutramina continuam e ela definitivamente não deve ser prescrita para pacientes com risco cardiovascular elevado. A busca por um medicamento mágico que nos permita alcançar o peso ideal sem esforço continua. Para aqueles dispostos a suar a camisa, exercício e dieta continuam sendo os aliados mais eficazes e saudáveis para a perda de peso!